terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Interfaces Multimodais...ou Multimerdais?

...Os interfaces multimodais são os pontos em que um ou mais veículos de transporte se interceptam, permitindo a transposição entre tipos de transporte. Por serem zonas de enorme fluxo de pessoas, tornam-se óbvio que são zonas de excelência para pequenos negócios/serviços, oferecidos a quem ali passa, na maioria dos casos, duas vezes por dia. Instalar pequenos comércios nas zonas de passagem até nem é uma idéia tão errada e descabida assim: O número potencial de clientes é grande e regular. O problema é quando os interfaces multimodais deixaram de ser desenhados para o seu propósito principal, para se tornarem centros comerciais subterrâneos... Em vez de serem zonas de passagem rápida e simples (e assim encurtar tempos de viagem), tornaram-se cada vez mais corredores imensos, apinhados de lojas, onde a passagem entre transportes se torna uma penosa e muitas vezes evitável caminhada, simplesmente porque é dado mais ênfase às lojas do que aquilo que realmente deveria ser importante: a passagem rápida entre canais de transporte! Alameda, ou Alame(r)da? Marquês de Pombal: Entrecampos...ou Entrelojas? Restauradores e a estação de Comboios do Rossio Sete Rios Felizmente que nem todas as interfaces são assim! De louvar os exemplos de: Baixa-Chiado Campo Grande

Aeroporto->TGV->TTT->Oriente2

Que o Aeroporto da Portela está esgotado num futuro muito próximo é uma realidade... Ok, pode até nem ser, mas é um facto que ter aviões a "rasar" a capital não é nada abonatório: que o digam todos os alunos da cidade universitária, já habituados às "pausas" do professor quando passa um avião por cima em plena aula... Temos sido afortunados! Felizmente nunca houve nenhum acidente de maior gravidade, mas o perigo potencial continua a existir... Desde que me lembro que vejo o aeroporto da portela como um "estaleiro": estava sempre em obras, sempre em requalificação, melhoramento, reestruturação... Faz-me levar a pensar: "agora que as obras acabaram é que vão acabar com ele...!" Mais interessante ainda, agora é que está "previsto" no alargamento da linha vermelha do metro, uma verdadeira acessibilidade de transporte público para o aeroporto! Agora que ele está com o seu fim anunciado! (ver mapa do metro actual e futuro aqui) Pois... porque até agora, além dos "airport bus" (onde o bilhete "normal" da carris não dá... e são tão caros que para dois passageiros fica mais em conta o táxi!) , a opção do autocarro da carris nº 44 não eram propriamente opções viáveis... , não se sabe por alma de quem, o autocarro não pára em frente à entrada/saída (francamente, era só mais uns metros!) Esses passos a mais não seriam um problema...se não fossem expostos aos elementos, em zona sem passeios, onde o tráfego automóvel é tudo menos calmo... Tendo em conta que o passageiro "típico" está carregado de malas, e os carritos de apoio ao passageiro não estão ali ao pé... (Ver Imagem do Googlemaps aqui) Já viram a distância entre o Aeroporto e o interface multimodal mais próximo = Oriente? Já experimentaram fazê-lo de transportes públicos? Sim, é "apenas" uma avenida, a direito... a distância entre o aeroporto e a Gare são menos de 3 km, é uma RECTA! (Av. Berlim). (ver GoogleMaps aqui): Para fazer a ligação entre a capital e o novo aeroporto, novas acessibiliades terão que ser criadas, outras Aeroporto => TGV TGV =>TTT + Oriente2 Mas... TGV(Aeroporto) => TGV (Porto)? e TGV (Faro)? Se o Pendular já chega às cidades de Faro e Porto, e a linha tem potencial para ser MUITO melhorada, em vários troços (ex: Vale de Santarém - Entroncamento) onde o actual traçado não permite a utilização do Pendular em todo o seu potencial Para quê apostas em ligações rápidas, de longas distâncias e de utilização esporádica... se o problema português é mais grave nos trajectos curtos e de duração diária? Para quando uma melhoria das Linhas de Sinta, Cascais e Estoril, e novas ligações ferroviárias a Loures? Para quando uma actualização VERDADEIRA da linha do Oeste, uma alternativa à Linha do Norte, que tem sido desleixada e numa condição de empobrecimento? Para quando VERDADEIROS INTERFACES multimodais em Lisboa, ao invés daqueles "centros comerciais" que somos obrigados a passear para saltar de linha em linha?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

-mos, -nos, e todas as outras hífen-izações...

Dos erros mais absolutamente irritantes que vejo cada vez mais disseminados, é a utilização "abusiva" de "hífenizações" que parece que se tornaram o prato do dia... é vê-los desde o mais manhoso "blog" até à chamada "imprensa de referência" e até mesmo no jornalismo televisivo.
Os erros que falo são, nomeadamente:
encontra-mos, come-mos, gostas-te, comes-te, ...
Que aqueles que não fazem da "palavra" o seu trabalho dêem os seus "errozitos" de vez em quando, em locais onde o cuidado linguístico não seja o mais importante, até é algo tolerável (mas pouco!)...
Agora: aqueles que as "letras" são a sua formação e instrumento-base de trabalho, que têm correctores ortográficos disponíveis em qualquer ferramenta informática (até os browsers já têm embebidos verificadores de ortografia!)... Não só dêem erros crassos e básicos, mas também construam frases de forma arrepiantemente errada, que fazem tremer as bases da instrução primária...
Cometer estes erros abomináveis é deturpar vergonhosamente a língua e a mensagem que se pretende transmitir... além de se correr o risco de poder alterar totalmente o sentido da frase.
Deixemos agora as queixas, e passemos (não passe-mos) a explicar o bom português:
os hífens são usados para simplificar a linguagem, substituindo o sujeito e/ou o complemento da frase.
sendo um qualquer verbo:
-nos = " a nós (mesmos)".
-te = " a ti (próprio)"
-me = " a mim (mesmo)"
-mo = " uma coisa a mim (mesmo)"
-mos = " N coisas a mim (mesmo)"
A confusão do hífen é sempre a mesma: confundirem "xxxmos" com "xxx-nos" e "xxxnos".ex: encontra-nos, encontramos, encontrámos e encontra-mos
encontra-nos = 3ª pessoa singular, presente: encontrar a nós mesmos.
ex: ele encontra-nos no metro
encontramos = 1ª pessoa plural, presente: (nós) encontramos o grupo no metro.
encontrámos = 1ª pessoa plural, passado: (nós) encontrámos o grupo no metro.
encontra-mos = 2ª pessoa do singular, abreviação de encontras-me-os, que por sua vez é a abreviatura de "Encontras as coisas por mim?"
Chamem-me chato, não me preocupa... Preocupa-me muito mais é ver que cada vez mais as pessoas preocupam-se menos em fazer as coisas como deve ser, nomeadamente QUEM DEVE, quando deviam sempre procurar a melhoria e a evolução. E porque não gosto de só "dizer mal", mas também fazer algo para resolver as coisas, sempre que posso, procuro ajudar a melhorar os outros. É por isso escrevo estas "pequenas" ajudas: para benefício de todos! :)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Como levar a sua cara-metade a gostar tanto (ou quase) de LEGO como nós!

Numa das muitas discussões no fórum da PLUG http://www.plug.pt/forum/index.php?topic=2205.0, foi-me feita a pergunta "...tens de me explicar como conseguíste (convencer a cara-metade) para fazer cá em casa, porque para a minha mulher os ciumes que tem é do Lego"
Assim, e logo na altura, escrevi um esboço do que é que foi esta "epopeia" de trazer o meu amorzinho para o mundo LEGO...
Foi uma caminhada longa e metódica... mas teve os seus resultados! Vou então passar a apresentar a fórmula "secreta", agora em versão mais completa que a apresentada originalmente no fórum:
Capítulo 1- Primeiro contacto com LEGO
Já desde o princípio, mu
Capítulo 2 - "Isto não é um mundo só de homens..."
Levá-la a ver as coisas que fazes, mostra as coisas que lhe apelam, feitas em LEGO (no caso da Aninhas, tudo o que é coisas fofinhas, bonitas ou, no caso dela, coisas científicas...) Queres exemplos? O que custa é compreender o que é que a nossa cara-metade gosta, porque normalmente, é precisamente TUDO o que não nos emociona pessoalmente depois mostra-lhe peças e/ou coisinhas fofas, tal como os gatinhos de LEGO 6175px1, 6251px1, x485.
Capítulo 3 - A experiência do toque...
Deixa-a pegar e apreciar as pecinhas! Mostra como é fácil juntar dois bricks, duas plates, etc... deixa-a contagiar-se pelo teu gosto! Um passo importante é: oferece-lhe um Leguito! Mas resiste à tentação de o montar tu mesmo ou de lhe dar algo que ela não goste particularmente! Eu ofereci-lhe uma motozita 7235, mas recomendo uma coisa tipo 5612 (oohh o cãozinho tão fofinhooo!)
Capítulo 4 - Algo especial para os dois
Algo muito importante que fiz (não por causa de LEGO, mas para dar uma prenda que é muito especial, muito dedicada e muuito personalizada) foi oferecer-lhe uma prenda muito simples: uma baseplate e uma data de plates 1x1...e dar-lhe as instruções... Enquanto ela montava sem perceber o nexo das coisas, eu contive a vontade de dizer o que realmente era... Mas com instruções simples como "3 a contar da esquerda, dois a contar de cima..." ou "dois abaixo do vermelho" (tipo Batalha Naval) ficou rapidamente feito! O resultado está aqui:
Capítulo 5 - Montagem partilhada
Além de lhe oferecer LEGO para ela montar, não esquecer de partilhar a construção das caixas grandes, com a bela vantagem das partes separadas e numeradas: "tu fazes o 1 e o 3, eu faço o 2 e o 4!" Recomendação: começa por dar aqueles que são mais apelativos, e faz tu próprio a parte "mais seca" de montar em baseplates ou coisas demasiado repetitivas... Exemplo: estivémos a construir o Porto 7994, e o primeiro saco era o camiãozito... quem é que acham que construiu esse?
Capítulo 6 - Apresentação à "tribo"!
Outra coisa que ajudou muito foi: Levá-la aos PLUGFest! Mostrar-lhe o grupo de porreiraços que nós somos, mostrar-lhe os detalhes deliciosos que nós adoramos, deixá-la ver os leguitos de cada um, deixá-la carregar nos botões e abrir os alçapões, etc etc... Ao ver tudo o que existe, que se pode fazer com as nossas "pecitas sagradas" E não esquecer de dar sempre um Leguito para ela montar em cada exposição!
Capítulo 7 - Recomendações finais
7.1 - Coisas a ter sempre em conta:
- Elogiar o trabalho realizado:
- Ajudar: dizer como em vez de "dá cá faço eu"...
7.2 - Coisas a evitar:
- NUNCA a proibir de entrar na nossa própria Legoficina. Deixá-la à vontade para abrir as gavetas, apreciar a sua ajuda a arrumar peças... (ainda por cima dá jeito :D)
- Não gozar com os erros de construção... É normal quem só agora começa que não tenha a "destreza" que nós, "expertos" (peritos), já refinámos durante anos!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Estreia de Teatro - "Nas Margens do Rio Tejo"

Mais um espectáculo que se estreia, com a participação de todas as secções do Círculo Cultural Scalabitano, e algumas outras colectividades convidadas.
Lê-se no cartaz:
Espectáculo musical, evocativo da vida àrdua dos Avieiros, com intervenção da Orquestra Típica Scalabitana, Côro do Círculo Cultural Scalabitano, Veto Teatro Oficina, Departamento de Dança do CCS e Sala D`Armas do CCS , com participação especial e colaboração da Banda Filarmónica da Sociedade Instrução e Cultura Musical da Gançaria, Rancho Foclórico do Bairro de Santarém, Grupo Académico de Danças Ribatejanas, Rancho Foclórico do Vale de Santarém e Rancho Foclórico de Benfica do Ribatejo.
Texto e Encenação de José Ramos, Poemas de Luís Nazareth Barbosa.
Em Dezembro no Teatro Sá da Bandeira :
Dias 12, 13, 19 às 21:30h 14 e 21 às 16.00h
Bilhetes à venda na sede do Círculo Cultural Scalabitano e, nos dias dos espectáculos, no Teatro Sá da Bandeira.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Carne "quase à alentejana"

Uma variação ao carismático tradicional prato alentejano, que fica mais leve... mas não menos gustosa!
Fica a sensação de uma fusão de Carne de Porco à Alentejana com Amêijoas à Bolhão Pato, de sabor leve mas aromatizado!
(foto)
400 g de carne de porco (rojões) 1 kg de ameijoas 1 cebola grande 2 dentes de alho Salsa fresca Louro Azeite Orégãos
Sal Pica-se a cebola, alho e salsa, um fio de azeite no fundo de um tacho grande, e deixa-se refogar com as folhas de louro, em lume brando. O refogado deverá ficar com uma corzinha verde, e a cebola bem alourada.
Com a cebola bem refogada, mete-se a carne e tempera-se com sal e orégãos. Mete-se água no tacho quase até tapar a carne e deixas-se tapado a deixar estufar.
Quando a carne já tiver ganho alguma cor, metem-se as amêijoas por cima da carne, deixando ficar em lume brando e sempre tapado, para as amêijoas abrirem. De vez em quando dar a volta ao tacho, de preferência sem destapar.
Enquanto a carne apura, há tempo para preparar o acompanhamento: batatas fritas aos quadrados, tal como manda a tradição do prato que deu inspiração ;)
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Antes de servir o prato principal, prepare o estômago com umas fatias de pão saloio barradas de queijo amanteigado, para abrir o apetite!
Servir acompanhado de vinho maduro tinto e quente, ribatejano ou alentejano, uma boa companhia e uma selecção musical para dar o ambiente , e o serão será uma delícia...e o prato também!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

tudo se "áute-sórça"! (ou, outsourcing para tudo)

Se o emprego "para toda a vida" está em vias de extinção, a própria contratação a prazo também já não é o que era… O vínculo profissional é algo que se está a tornar, no mínimo... complicado! O que era até há pouco tempo um tipo de contratação comum em trabalhos sazonais ou de período de tempo definido (obras de construção civil, etc.) - a sub-empreitada - está a tornar-se o standard (pelo menos) para as empresas de tecnologias de informação, onde programadores e outros especialistas são contractados "à jorna", ou em termos modernos, "por projectos". Se antes, a pergunta "onde trabalhas" e "quem é o teu empregador", eram perguntas coincidentes... hoje, essa coincidência é cada vez mais rara... Hoje, és "consultor" (trolha) de uma empresa de "outsourcing" (sub-empreiteiro) que te destaca para um qualquer lugar (onde até foste contratado propositadamente para ele). Nas "grandes empresas", a proporção entre "outsourcing" e empregados efectivos é cada vez menor... ...As empresas (aparentemente) só têm a ganhar com isto: - Deixam de ter problemas em encontrar os candidatos ideais, que chegam já "filtrados"... - A empresa não precisa de alargar o acesso a recursos, direitos e privilégios que vigoram agora nos estatutos da empresa a esta massa laboral que lá trabalha; - Nunca terá problemas de falta/atraso de pagamento de ordenados, negociação de regalias, etc... "lavam as mãos" de qualquer confusão contractual com o empregado; - Quando já não precisar deles, dispensa-os sem qualquer problema nem pena; - Pressupondo sempre contractos a 1 ano: Primeiro és "a termo" na "de outsourcing". ao fim de 3 anos, sais da "de outsourcing" e és contratado pela empresa onde efectivamente estivestes a trabalhar no último triénio. Se for esse o caso ficas "a termo" por mais 3 anos. Será que no fim deste tempo ficarás efectivo? Na prática, deu-se a volta à lei e, para se efectivar numa empresa, o "tempo" para que isso aconteça, duplica...

...Para quem efectivamente trabalha, há alguma vantagem? Não vejo assim tanta... Trabalhamos numa empresa mas não pertencemos a ela... não temos nenhum dos direitos adquiridos desta, mas as obrigações são as mesmas... os superiores descartam-se das obrigações, só se preocupam com trabalho... e

domingo, 23 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Não é todos os dias que se aparece nas notícias...

A convite de um jornalista da SIC, lá se juntou o grupo de "malucos do LEGO" para mais um encontro, com o intuito de se fazer uma peça sobre esta "tribo" de adultos que se divertem como crianças... Afinal, há sempre uma criança entre nós, não há que ter medo de deixá-la vir ao de cima de vez em quando não é? :D

Há que dar os parabéns ao jornalista que fez um trabalho muito bom, acerca do nosso passatempo!

domingo, 2 de novembro de 2008

Passear por Sintra...

Sintra: terra de poetas e românticos, de refúgios da vida frenética e poluída da cidade...
...toda a paisagem, o clima, a verdura, o ventinho fresco e puro... e a melhor companhia do mundo, num dia muito especial ;)
Tudo foi lindo, tudo foi mágico! A Regaleira com a sua arquitectura cuidada, jardins fantásticos e passagens escuras que desafiam a coragem de quem os explora! :D Monserrate com a majestosidade de um palácio requintado cheio de rococós, que dá gosto ver e apreciar... e para acabar em beleza, a Pena! "Nada disto vale a Pena"! :D no topo da serra, rodeado por uma paisagem idílica e maravilhosa, uma arquitectura colorida mas muito cuidada, detalhes de requinte e bom gosto, recheado de elementos da vida mais requintada dos finais do século XIX...
Ao entrar no quarto da Rainha sou envolvido com um aroma agradável a "cera crua" que me fez despertar um sorriso...talvez memória de odores que lembram o tempo da nossa infância, nas visitas às casas dos nossos parentes mais anciãos, ou simplesmente porque é uma fragrância natural e agradável, diferente das sintetizadas que nos inundam todos os passos...
O meu comentário gerou uma resposta da senhora que estava de guarda aos aposentos, e desta começaram 3 dedos de conversa, coisa típica entre nós, portugueses: conversar descontraídamente com alguém, assim do nada! Foi uma conversa que ainda durou uns minutos, onde a senhora acabou por confessar que :
- "já tava com saudades de ouvir português", que "éramos os primeiros da semana a passar por lá..."
- "Eu gosto de cultura, gosto de história e dos lugares da história. Não é a primeira vez que aqui venho, mas há sempre coisas novas para ver, detalhes que não reparámos anteriormente. Eu gosto do Palácio da Pena! :D Mas as pessoas preferem hoje, palácios do Colombo, Mosteiros do Vasco da Gama, e outros semelhantes..."
A princípio, houve um silêncio para tentar compreender esta frase, mas seguiu-se rapidamente um sorriso!
A conversa ainda continuou mais um pouco, falando-se da diferença que notei, nomeadamente em restauro e aplicação de barreiras de acrílico protectoras... "Tem estado a ser recuperado faseadamente, mas havia muito trabalho... especialmente das pessoas que escreviam nas paredes, e algumas vezes, nos próprios móveis (!)..." (Talvez até seja bom que esses "portuguesinhos" pouco civilizados não apareçam nestes cantinhos de cultura... ao menos não estragam!)
No regresso a casa deu-se um pequeno saltinho a (mais) uma das catedrais do comércio, o IKEA, à procura de um cabide com rodas que, tal como nas últimas vezes que tenho vindo, persiste em não haver em stock... Ao contrário do Palácio da Pena, o Palácio do IKEA estava apinhado de portugueses, na loucura da escolha de (mais) entulho para a casa... móveis, cadeiras, estantes, ou pequenos acessórios para o natal que já atestou as secções de vendas, e ainda estamos (supostamente) a um mês da quadra natalícia...
...Aqui sim, filas intermináveis de pessoas, e nem nas caixas "expresso" as esperas eram curtas... Ao olhar para as coisas que tinha na mão, apercebi-me que aquilo que precisava não tinha, e tudo o que tinha escolhido entretanto era de necessidade dúbia... e assim decidi passar pela "saída sem compras" e fugir daquela multidão!
Mas uma coisa é certa: a Pena, a Regaleira, e todos os sítios onde passámos nesse dia soalheio de Novembro, tinham tudo... menos portugueses. Não foi preciso pensar muito onde eles estariam: Obviamente metidos dentro das "catedrais do comércio", como pude até constatar depois...
Isto leva-me a pensar:
- Se estamos numa suposta "crise", onde o dinheiro é pouco e onde tudo está tão caro... então porque é que os shoppings cada vez têm mais gente, e cada vez há mais shoppings, e cada vez há mais lojas nesses shoppings?
- Se há espaço para mais e mais centros comerciais, porque é que cada vez há menos lojas "fora deles"? Será que estas novas superfícies não são mais que a transferência e concentração de "pequeno comércio"?
- Afinal a tal crise existe mesmo? Ou é só uma desculpa para o patronato nos continuar a contratar abaixo daquilo que valemos e/ou não nos aumentarem e chegar até a tecer ameaças pelo aumento do salário mínimo (que "supostamente" apenas 5% da população está afecto a ele)?
- E se a situação laboral está na tal "crise", que se ganha tão pouco que mal dá para as despesas... como é que os portugueses conseguem continuar a ir ao shopping às "compras" como se não existisse mais sítio nenhum para onde ir?
- Mesmo com a justificação das "facilidades de crédito" que existem hoje, disponibilizadas por agiotas disfarçados, e vergonhosamente LEGAIS, não estão as pessoas à beira da roptura financeira, ou para além dela???
Há aqui conclusões que são contraditórias... demais!